quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Como tem sido minha transição para FIRE

Tenho sentido algo estranho sobre a transição do FIRE. Obviamente escondo o quanto tenho de  patrimônio, as vezes percebo que algumas pessoas desconfiam de alguma coisa pelo meu estilo de vida.




Meu estilo de vida desperta uma certa curiosidade nas pessoas e algumas querem saber como eu ganho dinheiro. Confesso que é um tanto desconfortável não poder conversar isso nem com os amigos. Também tenho poucos amigos que converso sobre patrimônio.

Os amigos que consigo conversar sobre patrimônio criaram empresas inovadoras do zero e venderam a parte deles por milhões e hoje eles continuam trabalhando mas desfrutam do conforto de poder não trabalhar quando quiserem.



Ainda assim apesar de eles terem muito mais patrimônio do que eu e terem um emprego estável eles continuam tendo problemas e preocupações em relação ao dinheiro e outras coisas da vida que vem e voltam.

A grande diferença entre eu e estes meus amigos é que eu não acertei uma tacada e fiquei rico do nada. Fui um CLT  metade da carreira e empreendedor a outra metade. Então as vezes é um pouco difícil conversar sobre dinheiro com eles por que o patrimônio deles aumentou muito rápido, enquanto o meu vem crescendo lentamente ao longo dos anos.

Esses dias eu venho sentido que tenho uma "dupla identidade". Como eu vivo de maneira simples e o que eu faço geralmente é reconhecido por não ganhar muita grana, algumas pessoas acabam ficando curiosas e investigativas para saber como eu ganho a vida. Então escondo jogo e sinto como uma pessoa comum com "super poderes" que ninguém pode descobrir.

Os super poderes são os juros compostos

Apesar de ter dupla jornada, trabalho bem menos. As vezes  sinto um pouco improdutivo e culpado por causa disso. O costume de trabalhar longas jornadas tanto como CLT e como empreendedor ao longo dos últimos 20 e tantos anos de carreira impactou na ansiedade de ter uma rotina nova e lenta.

Por algum motivo achava que a transição para o FIRE seria como um presidiário que foge da prisão e a vida recomeça do zero. Mas tem sido algo muito mais lento e quase que imperceptível. Então essa sensação de chegar lá parece que nunca se conclui. O patrimônio já banca as contas mas ainda estou preso em um negócio. Por isso, acabo sentindo que não me dedico 100% nos trabalhos (carreira antiga e carreira nova) que preciso fazer.


Esse relato pode parecer que estou resmungando de barriga cheia. Talvez eu não saiba comemorar mesmo, talvez as coisas passam tão devagar que não se percebe exatamente o quanto progrediu. Talvez eu esteja chegando lá e descobri que lá não tem um tesouro ou um baú da felicidade. Na verdade é só uma meta que a gente coloca na cabeça para quando chegar nela colocar outras metas. E assim saímos da corrida dos ratos atrás do dinheiro e entramos na corrida dos ratos das metas.



É uma grande felicidade ter o conforto de não ter que retornar ao mercado de trabalho, enfrentar trânsito, transporte público, jornada de trabalho com dias e horário mínimo pré-determinado e horário máximo não determinado. Mas saibam que a transição também não é um êxtase. Hoje em dia uma das preocupações é saber quando parar e se o nosso movimento FIRE será sustentável ao longo dos anos com tantas mudanças na tecnologia e no mundo.

Fazendo o básico bem feito,

Bons investimentos,

Arroz com Feijão

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