Contém spoilers
Li o livro Morra sem nada de Bill Perkins, eu achei o livro bem repetitivo de forma geral. No começo ele foca muito em gastar dinheiro em viagens, parece até que ele se importa muito com que os outros vejam que ele está viajando do que qualquer outra coisa. Eu procurava algo mais específico, por exemplo, alguma fórmula de quanto capital acumular e como gastar até o suposto fim de vida.
Resumindo, se você não é adepto a filosofia FIRE nem vale a pena começar a ler este livro. Este livro é basicamente um alerta aos poupadores, aos mãos de vacas, aos econômicos como nós. O autor pressupõe que você já é um poupador e se não for ele propõe que seja (de certa forma). Mas não como uma fórmula fixa dos 4%. Ele propõe uma poupança variada dependendo da sua idade. O que eu acho que é bem irreal o que ele propõe, não vejo que seja possível acumular tanto capital como ele propõe gastando muito na juventude.
Uma coisa que ele ressalta muito é Saúde/Idade x Dinheiro. Por exemplo, se você é jovem e estiver em seus primeiros empregos, provavelmente você vai ganhar mal e vai ter muita saúde/disponibilidade. Então por que guardar dinheiro se os % de dinheiro acumulado que você poupar vai ser de um montante tão baixo. Por exemplo, por que você vai poupar 10% de R$3.000? Se quando você for mais velho você pode poupar 10% de R$15.000. E pelo outro lado, quando você estiver mais velho, por que você vai querer tanto dinheiro se você não vai ter energia para aproveitá-lo? Um exemplo que ele dá é de uma pessoa que foi esquiar e ao invés de fazer 20 descidas ele só conseguia fazer 15 por que não tinha mais energia, ou seja ele pagou 100% mas só aproveitou 75%. Exemplifica também do dinheiro que ele deu para avó dele que ela praticamente nem ficou feliz por que ela não tinha energia nem para sair de casa para gastar esse dinheiro.
Basicamente o livro fala muito sobre aproveitar o dinheiro quando você é jovem e poupar o suficiente para gastar tudo até o dia da sua morte. Para saber a data da sua morte ele sugere que você procure em algum site de expectativa de vida de seguros de vida.
No meu caso deu que viverei mais 50 anos,
A fórmula de patrimônio que ele propõe é:
Valor para nível de sobrevivência = 0,7 x Custo de Vida de um Ano x Anos restantes de vida
Vamos dizer que eu gasto R$10.000 por mês para sobreviver, ficaria assim
Valor para nível de sobrevivência = 0,7 x R$120.000 x 50
Valor para nível de sobrevivência = R$4.200.000
Ou seja ele propõe que eu torre estes R$4.200.000 até o fim da minha vida, inclusive dê uma herança aos meus filhos enquanto eu estiver vivo. Segundo a média de idade que as pessoas recebem herança nos EUA é quando eles têm cerca de 60 anos. E quando você tem 60 anos o valor do dinheiro é menos útil do que quando você tem cerca de 30 - 40 anos que é quando você precisa dinheiro por causa dos filhos ou para comprar um imóvel e etc.
Entretanto, para Bill Perkins, R$4.200.000, seria o valor sobrevivência, o que é quase o meu FIRE de R$4.500.000, ou seja, segundo ele o meu FIRE é sobrevivência, então eu precisaria de um valor mais alto que o FIRE padrão que considero que é um valor muito difícil de alcançar. Ainda mais considerando que ele propõe uma poupança menor do que eu fiz a minha vida inteira.
A parte que eu tirei proveito do livro seria que eu acredito que eu poderia ter tido melhores experiências quando eu era mais jovem, eu poderia ter me arriscado mais e sentido menos medo de não conseguir atingir a independência financeira. Mas eu também acredito que eu tive sorte, e muita, para acumular o que acumulei até agora. Eu acho que eu poderia ter focado mais em acumular músculos ao invés de ter trabalhado tanto desde os 19 anos quando ingressei na faculdade. Mas naquela época estagiário tinha jornada de 8 horas sem férias e eu não tinha tempo nem energia de sobra além de me locomover ao trabalho e estudar.
Outra parte que eu achei interessante é destinar parte da herança ainda em vida, por que o dinheiro é necessário quando você é mais novo, provavelmente praticarei isso. E por fim, também acredito que aumentar os gastos e morrer próximo ao zero após ter a Independência Financeira é uma boa ideia.
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Fico imaginando que se em vez de ler Pai rico, Pai pobre eu tivesse lido esse livro. Acho que nem seria FIRE, provavelmente teria aproveitado mais enquanto mais jovem, mas hoje estaria preso em um emprego e odiando não ter o dinheiro necessário para larga-lo.
ResponderEliminarO livro fala algumas obviedades, aproveitar o agora é sempre muito melhor que deixar para um futuro incerto e outras nem tão obvias, como dar dinheiro aos filhos enquanto ainda faz diferença.
Esse equilíbrio entre presente e futuro é muito complicado. E o livro adotas premissas perigosas: que você sempre vai poder ganhar muito dinheiro. O que não é verdade, meu pai teve empregos bons, mas depois dos 50 teve uma dificuldade imensa em encontrar empregos do mesmo nível e teve que encarar empregos ruins. Um tio meu foi um empresário bem sucedido, até que quebrou e nunca mais se recuperou.
O livro parece escrito para quem "já ganhou" a vida, seja vindo de uma família rica que vai te salvar se você gastar tudo na juventude, seja tendo contatos para garantir sempre empregos bons.
Resumindo, um livro com algumas ideias que te fazem pensar, mas muito difícil de ser aplicado, a não ser para uma realidade muito especifica.
Abraços.
Eu concordo com você! Acabei lendo o Pai Rico Pai Pobre quando eu tinha 17 anos e tive muita sorte com isso. Tbm tive essa sensação que você teve, que o livro é para quem "ganhou" a vida, para quem já é FIRE ou para quem tem a vida ganha
EliminarEu acho a ideia interessante também, mas honestamente seria muito ruim viver além da expectativa e ficar pobre talvez quando você mais precise de cuidado de terceiros, asilo etc.
ResponderEliminarE ainda tem o cenário possível de grande avanço tecnológico e da medicina que consiga elevar a expectativa de vida.
Pelo meu perfil de risco e talvez pra uma boa fatia dos adeptos do FIRE, eu não arriscaria muito nessa estratégia, mas se entendi corretamente do seu sumário, ficaria sempre uma fatia de sobrevivência do patrimônio? Se for assim, menos mau.
Mas realmente é sempre bom lembrar de não poupar apenas e se permitir mais gastos desde que dentro de uma trajetória sustentável.
Pois é, já pensou a gente acaba vivendo uns 130 anos? Eu considerei uma fatia de sobrevivência, na verdade eu não vou parar de trabalhar mesmo atingindo o FIRE, eu estou fazendo uma transição de carreira. Mas pensei muito na questão de deixar a herança para os filhos mais cedo e também não me limitar somente a faixa dos 4% e as vezes fazer algumas extravagâncias, realmente acho que não valeria a pena morrer com muito dinheiro. Já pensou a gente morre deixa tudo de herança para a nossa parceira(o) gastar com outra pessoa hahaahahahahahahhaha
EliminarNão concordo. Construir riqueza ao longo de gerações já é difícil por si só, e preservá-la exige ainda mais disciplina. Consumir tudo sem considerar continuidade ignora o papel do patrimônio como ferramenta de estabilidade e transferência de valor. Em termos práticos, isso tende a refletir uma visão de curto prazo, desconectada de planejamento familiar.
ResponderEliminarQuando se observa famílias que mantêm patrimônio por várias gerações, há um padrão consistente: organização, regras claras de sucessão, disciplina financeira e foco em preservação de capital. Não se trata apenas de acumular, mas de estruturar decisões pensando no longo prazo e no impacto sobre descendentes.
Isso não significa que toda família precise seguir um modelo rígido, mas sim que existe valor em adotar uma mentalidade mais próxima de um family office — com governança, intenção e continuidade — em vez de uma postura orientada apenas ao consumo imediato. A diferença entre essas abordagens está menos na renda e mais na forma como o patrimônio é tratado ao longo do tempo.
O autor dedica uma parte do livro para falar sobre isso. Mas entraria na parte de deixar a herança para os filhos durante a vida. Entretanto, concordo com você. A gente que cresceu no Brasil, somos uma maioria que veio de imigrantes onde nossos avós passaram por grandes dificuldades e se não fosse por eles a gente não teria o que temos agora
EliminarBoa reflexão.
ResponderEliminarJá li o livro e confesso que achei bem interessante. Difícil acertar o ponto de equilíbrio entre aproveitar e economizar, mas isso não invalida as ideias colocadas pelo autor.
Na minha visão, a questão de "morrer com zero" é complicada pela dificuldade de acertar no cálculo, no entanto, o livro me fez pensar sobre até quando eu preciso trabalhar para me declarar FIRE ( entenda-se aqui até quanto preciso acumular). Porque nossa tendência é sempre querer acumular mais para ter mais segurança, e aí vamos deixando de aproveitar. O AA40 fez uma postagem recente sobre esse assunto.
A abordagem sobre herança também é muito interessante e pretendo aplica-la.
No geral achei um bom livro, principalmente por ele provocar boas reflexões.
Depois vou procurar este post do AA40, obrigado pela sugestão. Pensei muito também sobre a forma que poupei dinheiro desde o início da minha carreira e se eu tivesse gastado tudo quando eu era jovem, com certeza eu teria muito menos hoje ainda mais se tratando de juros compostos no Brasil. Mas acho que a ideia do livro é um pouco sobre fazer o pessoal da filosofia FIRE saber a hora de parar também, o que é muito difícil por medos e inseguranças
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